Alyssa Monks
A luz da tarde anuncia em carta:
Ele virá ao teu estado de amor!
Do meu peito saltam acrobatas,
Tomam a rua, distribuem flores,
Uma lua particular se reserva
paisagem na janela dos olhos.
Entre dentes as frases obscenas
Já ensaiam o desfigurado balé.
Eu me pergunto se deveria tecer
Uma colcha, uma rede, um pano,
Aguardar tranqüila e sem esforço
Até que se deite aqui o homem.
Invariável meu desejo reage,
Salta sobre mim a fúria de ter-te!


7 comentários:
Ótimo. Parece haver aí um misto sutil de Penélope e Calipso.
E a segunda estrofe é bonita demais!
Abraço, Betina.
marco,
sempre que vejo um comentário seu, nos mais variados espaços onde publico o meu trabalho, me pergunto se agradeço como você merece por tanto apoio e presença. você sabe que poema bom é poema lido, você sabe que artista não sobrevive sem os olhos do mundo e muitas vezes (foram)são os seus olhos sobre o meu trabalho que me (fizeram) fazem acreditar que meu ofício se presta à expressão.
muito obrigada, de verdade.
abraço.
"Eu me pergunto se deveria tecer
Uma colcha, uma rede, um pano "
Que bonito BB, essa união com a terra, esse fio que tece a calma da certeza.....
Ainda que tarde...
cade vc?
querido laerth
estou trabalhando...rs
o tempo para criar está o mesmo, para postar é que está difícil!
mas, continuamos juntos, sim?
um beijo e obrigada por sentir-me ausente...
poça d’água
sob meus pés as nuvens
e as estrelas abaixo delas
além muito além
da teoria de toda matéria
- há matéria -
no infinito meus pés
estão encharcados
não de chuva nem de orvalho
não de suor ou urina do caralho
nem das lágrimas do corpo
nem da brisa em sopro
mas de água da poça
que ainda há no gramado
ali onde meus pés
sobre a grama entre os talos
se refletem na fria lâmina
que se converte em poema
nada se ouve senão os sentidos
dos sonhos que redivivo
agora as estrelas
em estridentes alaridos
entre tristes dentes me enxaguam
de lágrima suor e urina que vazam
- sobre meus pés -
ali onde o silêncio
habita o cosmos
que neste convés
se revela fósforo
Com o tempo, conhecendo vc e sua poesia, ficamos cientes de sua maneira poética, de pensar (ou sentir), de se expressar.
As vezes explodem as palavras, dão saltos ornamentais nas alturas, para entrarem na água de nossa alma sem fazer ondas, sem espirrar água. Nota 10, dariam os jurados. Mas outras vezes, o salto não tira o folego; é calmo, relativamente comedido, suave...; mas também perfeito.
Com vc estabeleci também um 'relacionamento poético', e dele usufruo contente.
Abraços.
Postar um comentário