sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

“com tempo contemplo contento como em templo”
















Alyssa Monks


Deixa a boca se deitar sobre o silêncio
o silêncio sobre nós
nós sobre a cama,

Deixa o desejo ser o parceiro
um parceiro para nós
agora e após
o desejo se tomar de nós.

Mas deixa a palavra longe da vocação da promessa
da invocação da mentira
da evolução do amor,

Deixa o mundo sem nós
só nós que aqui estamos
com verbos que caem da boca
porque estamos a sós.

19 comentários:

Carla Diacov disse...

sou sempre à favor e fervor dos nós, Betimba!



me rasguei em nós aqui!
deixando a palavra bem perto da vocação da promessa,
sensytivo é o teu manto sobre nós...
plena tua pena!

)e essa louca futuquenta dessa Alyssa Monks!!!??? vou lançar)laçar( meus nós a ela!(

betina moraes disse...

carla

sua leitura acende ainda mais os fervores e as palavras.

dê algo de definitivo em alyssa, ela perturba a minha vida demais. faz o fervor, ou melhor, o favor de contê-la!


um beijo de panela de pressão.

R.B.Côvo disse...

Gostei muito do poema. Um abraço.

betina moraes disse...

rb.


muito obrigada pela leitura!

abraços.

Marcantonio disse...

Achei esse poema extraordinário. A palavra, inflada do desejo de criar nós abstratos, não é parceira ideal do desejo amoroso que tem sua própria linguagem imediata, que não precisa de intermediários, senão dos significantes corporais. É assim?

Se a poesia pode voltar-se sobre si mesma e falar da natureza de sua matéria, então a terceira estrofe poderia evocar discussões que enchem infindáveis tratados. Até Wittgenstein entraria nesse meio. Rs. Afinal, qual é a verdadeira vocação da palavra? Mantê-la longe da promessa, da ficção, da mentira, da ilusão, requer um esforço hercúleo de DESengravidá-a. Talvez um esforço vão.

O mais interessante é que esse poema é um apelo, uma prédica com... palavras (!) na intenção de preservar a verdade do desejo desatado das palavras! Ele é anterior ao desejo e nega o que propõe. E isso é muito legal.

Aqui não é tudo apenas sensitivo: os versos (aqui também) têm idéias.

Abraço, Betina.

Renato disse...

Você escreve suave e docemente, e ao mesmo tempo fortemente. E é tão mulher, tão gostoso e toca o coração tão fundo, que sempre me arranca suspiros.

betina moraes disse...

marco,


você leu com os olhos treinados pela sensibilidade, muito boa leitura.

é sempre um questionamento eterno: vale mais a palavra ou gesto?

eu uso os dois diariamente, mas como poeta só posso usar um,

fica sincero quando escrevo, mas quando penso no gesto associado ao sentimento que procurei descrever, acho que o gesto ganha em presença, síntese, energia, calor, empatia e por aí vai.


como me atrevo a querer ter o ofício da escrita,

as questões relativas ao duelo entre a palavra e o gesto vez por outra aparecem no trabalho

e a palavra venceria o gesto não fosse a obra plástica de alyssa monks, que aqui, no caso é o meu trunfo em favor do gesto...

seu conhecimento e sensibilidade são estímulos preciosos, poeta.

obrigada pela leitura e considerações,

abraço!

betina moraes disse...

renato,

conta em favor da leitura a qualidade do leitor, sempre!

você é um leitor que se propõem ao mergulho

e é muito gratificante ler que o verso provoca sensações e emoções em alguém que tem o hábito de ler,

eu agradeço, sinceramente, suas palavras.


um beijo.

laerth motta disse...

Betina ...não tenho muito oque falar sombre estes dois ultimos poemas postados.
vc está ótima , cada vez mais livre,mais inteira, muito lindo mesmo...

betina moraes disse...

laerth,


eu fico tão feliz com a sua leitura e companhia...


muito obrigada, querido.

Sylvio de Alencar. disse...

Lindo poema!
Leve como que na tona, folha boiando levada pela brisa.
Fresca como água de fonte, a uma determinada profundidade.

Abrçs.

betina moraes disse...

sylvio,

belo mergulho!


um beijo.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

"Mas deixa a palavra longe da vocação da promessa"

Betina, isso é uma jóia, uma promessa e um fim em si mesmo!

betina moraes disse...

wal...

eu sei que você sabe o tanto que há de verdade aqui...


um beijo, flor.

Pêaga Rodrigues disse...

Como não pode ser diferente, saudades de visitar tua escrita, sempre tão gosta de ler, Betina.

Sou fã do que voce escreve, embora demore a dar o ar da graça por aqui.

Sempre muito bom.

Abraços

Pêaga Rodrigues disse...

E a proposito, li alguns posts que havia deixado passar e mais uma vez, maravilhoso ler isso tudo.

luiz gustavo disse...

"...o último tremor de morte
da línguagridoce
o silêncio do céu cintila..."

betina moraes disse...

ô querido,

estou eu em falta contigo!


obrigada, é muito bom te ver aqui.


um beijo!

betina moraes disse...

luiz...

imagens belíssimas!